segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Elefantes e suas motos!

- Eu não vou ter filhos! Não vou deixar decendentes!
- Como assim??? Por que não?? - respondi, horrorizada.
- Porque eu não vou morrer. Não da maneira convencional, sabe? Vou fazer como os elefantes quando pressentem que sua hora está chegando. Vou subir na minha moto e pegar a estrada.
Fiquei pensando nisso... Nunca vi elefante de moto! Nem nos desenhos animados mais loucos - e olha que eu já vi muito desenho animado louco!
Então, do que ele estava falando, afinal? Não pode ser que esteja falando de abandonar as pessoas que ele ama. E que o amam. Ai, meu Deus... Será que ele está falando sério? Meu coração doeu forte nessa hora! E meus olhos se encheram de lágrimas! Não poderia imaginar minha vida sem ele! Para quem eu ligaria quando o bicho pegasse lá em casa e quisesse chorar e desabafar? Quem me daria conselhos sobre o que fazer já que aquele carinha não retornou minha ligação? Hey! Vou precisar de dois padrinhos no altar, sabia?
Será que ele não percebeu? O que ele estava pensando, afinal? Será que ele acha mesmo que eu o deixaria partir assim, tão facilmente? Ora bolas! Ele foi um presente que me foi concedido pelos Céus! Sei dsso pela forma como nos conhecemos...
2001. Fazia calor. Vestia uma saia jeans até a panturrilha, regata preta, all star, uma cruz no pescoço e alguns "spikes" pelos braços. E maquiagem preta, lógico.
Entrei num cartório para resolver umas papeladas da casa nova. Um garoto, com blusa de banda e cabelos compridos me olhou e começou a se aproximar.
Ai, meu Deus! Já não bastava eu perder a tarde indo de cartório em cartório, lidando com burocráticos, ainda vou ter que dar um toco num garoto só porque ele identificou que também gosto de rock? Ninguém merece!
E ele continuou a se aproximar.
- Oi! - disse ele
Merda! - pensei.
- Oi. - tentei ir para outro balcão. Ele veio junto. Que ódio!
- Você "curte um som", né?
Não! Me visto de preto num calor de 300º porque sou masoquista! É lógico que "Curto um som"! - Pensei. Meu bom humor mandou lembranças nesse dia. Tinha ido passear e me abandonado naquele calor insuportável, típico de novembro.
- Uhum...  - respondi, tentando ser simpática. Mas não muito! 
- Legal! E que som você curte?
A-há! Eis aí minha deixa para ele correr desesperado para longe de mim!
- White Metal! Pausa para explicação: White Metal = rock evangélico. Isso, com certeza, o faria correr de mim!
- Legaaal! Eu também! Que bandas você ouve? - E abriu um sorrisão!
Nessa hora eu me desarmei. Sorri de verdade. Que legal! Era difícil encontrar, assim, do nada, pessoas que ouvem White Metal. Conversamos um pouco sobre bandas e shows que já tínhamos ido.
- Meu nome é Anselmo! Vou te dar o telefone da minha namorada! É que eu fico mais na casa dela do que na minha.
Sorri ainda mais! Ele não estava me dando mole! Que ótimo!
Alguns dias depois, me ligou um carinha:
- Oi! Meu irmão pediu para eu te ligar! Vocês se conheceram no cartório! Meu nome é Cebola!
- Espera! Pára tudo! Cebola? Seu nome é Cebola?
- Sim... Por que?
- Porque minha prima troca emails com um Cebola há pelo menos 3 anos! E não acho que deva haver muitos "Cebolas" por ai, né!
- Por acaso sua prima é a DinhaMetal? - Este "nick" parece ridículo hoje, mas era bastante original em 2001, ok?
- Ai, meu Deus! Como assiiiiimm?? Não acreditooo!!!

E lá se foram 10 anos...
E quanto aos elefantes, não me preocupo mais. Cláudia se formou em biologia e me garantiu: elefantes não andam de moto! Seja lá o que quer que o Cebola tentara me dizer com isso...

TE AMO MUITO!!!


terça-feira, 10 de agosto de 2010

O bandido que só roubava corações!

01/07/2005
Era uma vez um ônibus com destino à Goiânia.
Dentro dele, havia uma menina chamada Ana, que estava afim de um menino chamado Théo.
Mas Théo estava esnobando Ana. Ela resolveu então abstrair e dormir.
Enquanto tentava dormir, Ana ouviu um grupo de garotos conversando. Uma frase em especial chamou sua atenção:
- E ai? Meu nome é Théo!
Théo?? Como assim? Não é possível dois "Théo" dentro do mesmo ônibus! Afinal, "Theo" não é um nome assim tão comum, né! Se ainda fosse "Thiago" ou "Felipe".... Mas Théo?? Não acredito!
-Ei! Desculpa, mas... Como é mesmo o seu nome?
-Théo - disse ele meio desconfiado.
Nossa! Como ele era bonito! - Ana pensou - Ele deveria roubar todos os corações que quisesse! Tão charmoso e galanteador!
-Jura? Não acredito! - disse Ana, rindo.
-Por que?
E se sentou ao seu lado e ela contou toda a história. E contou outras histórias. E ele também lhe contou histórias. E falaram sobre amores que se foram e amores que esperavam chegar. E se identificaram nas dores e nas esperanças um do outro. Decobriram que sofriam da mesma dor de amor. E se consolaram.
Não, não é nada disso que você está pensando!
Ana e Théo se identificaram como irmãos que foram separados quando bebês! Ou como se já se conhecessem há anos! Se ela acreditasse em outras vidas, talvez afirmasse que tivessem mesmo sido irmãos...

Já era madrugada de uma noite fria e acabaram adormecendo nos braços um do outro.
Então, repentinamente...
-Aninha! Acorda! Olha lá fora!
O sol estava nascendo e havia neblina junto ao chão. A lua parecia querer beijar o sol de tão próximos que estavam! Entre os dois, o crepúsculo perfeito. Acima da lua, um azul tão escuro, que talvez não fosse azul. Talvez fosse preto. Preto com pedras de diamantes costuradas com fios de ouro branco!
Desculpe se te decepciono, mas, não, eles não se beijaram!
Eu sei que a atmosfera pedia um beijo!
Era tudo tão romântico! Aquela tela pintada por Deus, o frio, os dois ali, abraçados... Se estivessem atraídos um pelo outro... Mas não era o caso. Eram irmãos, confidentes! E não amantes!

Os anos passaram depressa... Junto à amizade, se uniram a cumplicidade, a compreenção, a fidelidade, o amor.

Ela queria se casar com um "headbanger"! Mas se apaixonou por um forrozeiro de cabeça raspada... Théo foi o padrinho.
Ele também se casou. Uma linda menina, viciada em natureza, trilhas, canoas e praia! Ana foi a madrinha.

Seus filhos brincam juntos todos os fins de samana na pracinha próximo à casa deles.
Algumas pessoas não acreditam em finais felizes sem romance, no sentido carnal.
Desculpe decepcioná-los. A amizade deles durou por toda a vida. E isso nem sempre acontece num relacionamento amoroso. Afinal de contas, o que vale mesmo não é o amor? Amor é o maior dos bens!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

1986 Quantos anos mesmo?


Me lembro como se fosse hj!
Já era noite na Tijuca. Eu tinha 7 anos, mas minha mãe disse: "se te perguntarem, diz que vc tem 8!". O Rafa tinha 8 e não precisaria mentir para entrar no hospital. Que raiva!
Alguns segundos depois uma enfermeira pergutou e menti! Feliz! Afinal, foi a 1ª vez que me recordo ter permissão para tal ato!
Subimos o elevador. Entramos num imenso quarto.
- Mãe, porque tá tudo escuro?
- É para não incomodar o bebê!
O quarto parecia tão grande...
Lá longe, muito longe, havia um berço de acrílico, que, na minha inocência infantil,  pensei ser de vidro. E lá dentro havia, numa trouxinha rosa, minha prima.
- O nome dela é Cláudia! - disse minha tia, com cara de muito cansada.
- Uau! - disse eu, encantada!
Adorava ir para a casa da minha tia só pra ficar perto do bebê. Na verdade, minha intenção era brincar de boneca com ela! Isso sim!
Mas o bebê foi crescendo. E eu também. Que droga! Não consigo parar o tempo!
Minha "boneca" acabou se tornando minha melhor amiga. Fazíamos absolutamente tudo juntas! Brincadeiras infindáveis de Barbie e banhos de espuma (de sabão em pó misturado à shampu, e não de sais, infelizmente para nossa pele!) que duravam a tarde toda, shopping, festinhas, filminhos, viagens, shows e - enfim - caça aos homens!
Um dia ela inventou uma aventura na Antártida! "Quero morar lá! Perto das baleias!"
Ai, meu coração! Que dor ficar longe dela por tanto tempo. (Não conte à ela, mas, que bom que ela não foi! Tudo bem uma visitinha ao continente gelado, mas... Morar lá? Ah não! Inadmissível!)
Então, tal como um casamento, entramos em crise. E foram tempos negros. Sangrentos. Doloridos. Profundos. Tempos de afastamento. E crescimento. E amadurecimento.
E quer saber? Percebemos que, diferente de um casamento, nada pode destruir o que 24 anos de amor e DNA uniram. É como diz o ditado: "o que não nos mata, nos torna mais forte". Marcas? Cicatrizes? Ai, meu Deus, amputações?  Sim. Dos dois lados. Mas o importante é que sobrevivemos.
E digo mais! Continuo não podendo imaginar minha vida sem ela. E a recíproca é verdadeira. Né?!




(Acho que essa foto causará nova crise! Fazer o quê se ela reflete nosso espírito?)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

ESTA NOITE EM MEIO ÀS FERAS

Estava eu, "numa noite qualquer", saindo do trabalho, quando recebo uma ligação! "Recital de poesias na Livraria da Travessa! Partiu?" Pensei: "Oras, o transito tá um inferno agora mesmo, né. Vou sim! E se tiver chato, vou embora!" Que bom que eu fui! Ouvi essa menina declamar lindas cartas-poesias que mais pareciam contos de ninar! Sorte minha ela ter doado algumas para a platéia! E agora, compartilho você! =)





"Fer, meu amor, outro dia você me perguntou porque eu me faço de forte, e eu vou tentar re responder. Não sou fraca, não. Tenho os meus medos, as minhas inseguranças, os meus pontos fracos e a sensibilidade de chorar quando sinto o corpo ou a alma doer. Sou assim, como todo mundo é. Se me mostro mais forte é pra me proteger. Não de você. De você não tenho medo, embora às vezes me faça doer. Sei do seu amor por mim tanto quanto do meu amor por você. Só evito desmoronar. Desmoronamentos às vezes nos deixam soterrados, e soterrados nos deixamos esconder, em nossas dores e alegrias. Eu não me deixo esconder. Então eu enfrento tudo como se fosse a pessoa mais forte do mundo. E se não há chão pra pisar, eu capricho mais nos sapatos. Só evito desmoronar. Não sou forte, não. Nem me faço por intenção. Se eu me fecho quando deveria me abrir é só pra deixar avançar o sinal quem não tem medo de colidir. Os temerosos que se tranquem em suas casas gradeadas blindadas alarmadas e sorriam sendo filmados, porque as feras estão soltas nas ruas e eu não vou deixar de sair às ruas porque eu gosto de contemplar a céu aberto a luz da lua. Sim, eu tenho medo das feras. Mas aprendi que o medo libera uma substância em nosso organismo que os animais sentem no faro. Só não me deixo farejar. Eu ando tão perto das feras que elas não são capazes de me alcançar. Minha presença se confunde com a delas. Eu não me faço de forte, me camuflo de fera. É só pra não me deixar atacar. Pra você eu posso dizer, porque conheço suas camuflagens. Elas são como as minhas. Por isso te digo o que você quer ouvir, não o que eu sou, mas o que você é. Você quer um espelho pra se refletir. E eu te espelho até mesmo quando você não quer. Mas repare, meu bem, que é bonita a imagem, que por trás da cara de fera, de toda essa camuflagem, a gente é gente de verdade. De carne e osso, desejos, vontades, ânsias, medos e coragens... E gente como a gente não se faz de forte. Se é forte, em toda a sua fraqueza. Porque se ergue inteiro a cada queda e não desiste de nadar contra a correnteza. Fracos são os que se deixam levar, não oferecem resistência ou não sabem nadar... Eu sei bater os braços. Não sei respirar debaixo d'água, mas não conta pra ninguém, todos pensam que sim, então vamos deixar assim, ok? Eu sei que você também... É o nosso segredo.


Eu te amo, e disso não tenho medo!

Beijos,

Bia. "
 
Por Beatriz Provasi

Voltando aos blogs!

Oh, Senhor!
Depois de tantos anos longe dos blogs, resolvi voltar!
E, para celebrar meu retorno, vou buscar um antigo post, no meu antigo e já desativado fotolog.net/tininhametal.






TUDO BRANCO


Uma leve e gélida brisa toca meu rosto
Olho ao meu redor
Tudo está branco


No parque passeia minha lembrança
A luz do sol refletida no lago gelado
Meu sorriso não posso conter

Meus cabelos esvoaçantes dançam ao toque da brisa
A leve brisa que toca meu rosto
Ao meu redor, tudo está tão branco...

No lago, uma imagem...
Preto e branco.
Nossas sombras desfilam no gelo
Como testemunhas, pinheiros cobertos de neve
Pinheiros em preto e branco

Meu sorriso não posso conter
Aquela valsa no lago
Com os cabelos esvoaçantes
E o leve toque da brisa gelada

Onde tudo começou...
Onde se perpetuou...
Num dia de inverno,
Com a mais perfeita luz do sol

E ao meu redor, tudo branco.
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